segunda-feira, 21 de março de 2011

Espontaneamente

Fez-se esperança,
ela subitamente virou para trás.
Ele suspirou,
ela apenas abaixou-se
pegou a presilha e se foi.

Fez-se amizade,
Eles se encontraram no elevador,
Ela pintava os olhos
e não percebeu.

Fez- se humildade,
o rapaz correu até o semáforo
para ajudar a velhinha atravessar,
ela reclamava da vida ,
e não o acolheu.

Fez-se amor,
Ele já havia sofrido demais
e não reconheceu.

Fez-se nada,
Faz-se nada a cada manhã,
cada vez mais,
desaprendemos a sentir,
espontaneamente

4 comentários:

Arthur disse...

Não sei se fui o primeiro, mas com certeza fui quem mais gostou desse poema quando vi sua gênese =)

Rafael Spínola disse...

Muito bom esse texto, de verdade. Já tinha lido e gostado.Acho que tbm vi a gênese, então o arthur pode tirar essa certeza ai haha

b. girauta disse...

bonito, hein. Não sabia que vc tinha blog. Ou sabia e esqueci.

Júlia Kastrup disse...

Fez-se amor,
Ele já havia sofrido demais
e não reconheceu.