sexta-feira, 10 de julho de 2009

queijos,vinhos e fome.

Mas é inverno. Lareira, queijo e um bom vinho. Talvez chamemos os amigos pra uma noite de música, nos reuniremos em torno de uma fogueira, apreciaremos um vinho barato e certamente surgirão lembranças gostosas, longas risadas e provocações engraçadas.

Mas chegará um ponto da noite, provavelmente quando estiver acabando a quinta garrafa, que nos lembraremos de alguém passando frio. Neste momento um silêncio ensurdecedor tomará conta da sala, e uns não olharão mais para os outros, nos sentiremos mal, pensaremos no mundo e em tudo relacionado a ele, então alguém,provavelmente o mais alterado, falará sobre a "tirania da maioria" ou a "luta de classes", e olhares decepcionados surgirão de nossas faces. Não há como fugir, somos cientistas sociais, e esse é o fardo que carregaremos sempre. Um dentista pode deixar de ser dentista se tirar a roupa branca, um policial se tirar a farda, mas um sociólogo, na presença ou na ausência de relações, será sempre um sociológo.

Mas depois de alguns minutos, tudo passará, voltaremos a rir e conversar normalmente, mas no fundo, lá dentro de cada um, carregaremos aquele gelo, e infelizmente, a lareira não será mais capaz de esquentar.

Mas é inverno, mais um inverno, como tantos outros que vieram e que virão; mas algum dia, não sei como nem quando, o mundo vai estar melhor, vamos poder aproveitar o calor da lareira sabendo que não há ninguém com frio lá fora.

não falo de caridade, falo de mudança no mundo!

Um comentário:

bateju disse...

Mudança no mundo! E olha que eu não sou sociólogo. rs