Estou passando para te lembrar de não desistir.
Quando bater aquele aperto ou desânimo, que essas palavras te lembrem de quem você era
seis dias atrás,
seis meses atrás,
seis anos atrás.
Para que você se lembre do porque você começou.
E de onde
ainda não chegou.
Te escrevo hoje para encontrar o que eu esperei ler antes.
Tudo passa.
Nossa força se renova,
nossos sonhos não envelhecem.
domingo, 21 de outubro de 2018
domingo, 8 de abril de 2018
separação
Por favor, precisamos resolver de quem será a última bolacha do pacote. Eu gostaria de ficar, tenho um apego emocional por ela, foi comprada naquele dia que o mercado estava com preços maravilhosos.
Já eu, acho que seria justo ficar comigo, você já pegou o último vidro de azeite e os 100g de sal.
E assim discutiram. Por meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos. Cada uma daquelas coisas inúteis que uniam os dois naquela sala.
Enquanto tudo se dividia, tudo se discutia. Em meio a tanta discussão, a única regra que tacitamente cumpriam era "não ouse falar dos sentimentos".
Quando terminaram, saíram pela mesma porta,
um para cada lado,
cheios de coisas vazias.
Já eu, acho que seria justo ficar comigo, você já pegou o último vidro de azeite e os 100g de sal.
E assim discutiram. Por meses, semanas, dias, horas, minutos e segundos. Cada uma daquelas coisas inúteis que uniam os dois naquela sala.
Enquanto tudo se dividia, tudo se discutia. Em meio a tanta discussão, a única regra que tacitamente cumpriam era "não ouse falar dos sentimentos".
Quando terminaram, saíram pela mesma porta,
um para cada lado,
cheios de coisas vazias.
terça-feira, 16 de maio de 2017
Calma Martha, você está de cabeça quente.
Diga mamãe, Martha. mã- mãe,Agora papai...
Onde pensa que vai essa hora, Martha?
Martha, tenha modos, você não parece uma mocinha!
Tem que fazer faculdade sim, hoje em dia as mulheres já são independentes.
E os namorados?
Martha, não demonstre fraqueza perante os homens, seja fria com ele!
Mas de novo você fez isso, mulher? Quando vai aprender.
Martha estava tonta com tantos comentários. Já eram quase três décadas de conselhos, dicas e obrigações. Quis silêncio. Sentou no topo da montanha mais alta do vale em que nunca ninguém frequentava. Lá do alto as vozes continuavam, cada vez mais altas e mais fortes até que passou a senti-las no próprio corpo. Assustou-se quando os lábios dormiram e as mãos não executavam os movimentos que o cérebro pedia que fossem realizadas. E as vozes ainda mais altas.
Ela ainda não sabia nesse momento que a pessoa que mais exige de nós, é aquela que nos deparamos quando estamos diante do espelho. Eu já sabia, e queria contar a Martha, mas ela não ouvia.
A verdade é que Martha sofria de excesso de audição externa. É uma doença crônica que afeta uma parcela significativa da população mundial. Aliás, isso me lembrou uma conversa com uma amiga querida, que uma vez disse que as pessoas tinham dificuldade de ficar sozinha sem fazer nada pois tinham dificuldade de lidar com elas mesmas.
Mas, vamos voltar a Martha. Gostaria que ela sofresse menos pensando no que as pessoas estão pensando. Gostaria que não doesse no corpo dela, e nem daquela parcela toda da população mundial. Fico pensando qual foi o momento que a sociedade deixou esse trilho desandar. Será que os primeiros seres humanos sofreram de ansiedade? Ou foi na época dos meus tataravós? Será que é coisa mesmo da nossa geração? Fugi novamente de Martha. Mas nesse momento fiquei sabendo que as coisas se acalmaram.
Diga mamãe, Martha. mã- mãe,Agora papai...
Onde pensa que vai essa hora, Martha?
Martha, tenha modos, você não parece uma mocinha!
Tem que fazer faculdade sim, hoje em dia as mulheres já são independentes.
E os namorados?
Martha, não demonstre fraqueza perante os homens, seja fria com ele!
Mas de novo você fez isso, mulher? Quando vai aprender.
Martha estava tonta com tantos comentários. Já eram quase três décadas de conselhos, dicas e obrigações. Quis silêncio. Sentou no topo da montanha mais alta do vale em que nunca ninguém frequentava. Lá do alto as vozes continuavam, cada vez mais altas e mais fortes até que passou a senti-las no próprio corpo. Assustou-se quando os lábios dormiram e as mãos não executavam os movimentos que o cérebro pedia que fossem realizadas. E as vozes ainda mais altas.
Ela ainda não sabia nesse momento que a pessoa que mais exige de nós, é aquela que nos deparamos quando estamos diante do espelho. Eu já sabia, e queria contar a Martha, mas ela não ouvia.
A verdade é que Martha sofria de excesso de audição externa. É uma doença crônica que afeta uma parcela significativa da população mundial. Aliás, isso me lembrou uma conversa com uma amiga querida, que uma vez disse que as pessoas tinham dificuldade de ficar sozinha sem fazer nada pois tinham dificuldade de lidar com elas mesmas.
Mas, vamos voltar a Martha. Gostaria que ela sofresse menos pensando no que as pessoas estão pensando. Gostaria que não doesse no corpo dela, e nem daquela parcela toda da população mundial. Fico pensando qual foi o momento que a sociedade deixou esse trilho desandar. Será que os primeiros seres humanos sofreram de ansiedade? Ou foi na época dos meus tataravós? Será que é coisa mesmo da nossa geração? Fugi novamente de Martha. Mas nesse momento fiquei sabendo que as coisas se acalmaram.
INtensidades
Gosto do café 9 da escala de 11 cafés. Tem dias que pedem um café 11. Nos remelexos da vida, costumo assustar por optar pelas (in)tensidades.
Amar como se fosse o último, sentir raiva como se fosse a pior coisa da vida. Das intensidades que transformam os abraços das visitas quinzenais os mais calorosos e acalentadores.
Das saideiras de cerveja que nunca são a última. Tudo até a ÚLTIMA gota. Até vazar, até secar, até transbordar...
Para que derrube o copo. Gosto de derrubar copos. No minuto, no dia seguinte, no mês ou no ano seguinte, me refaço.
Por inteira.
sofro. sofro muito. Se o preço do kilo do tomate voltou a subir, se o ônibus parou depois do ponto, se o amigo distante está doente.
Sinto.
Sou humana.
Estou viva.
sábado, 21 de novembro de 2015
Para siri
Encontre um amor que
goste de Caetano. Acho que foi em uma camiseta que li essa frase pela primeira
vez, e de certa forma interiorizei como um mantra. Não que a partir de então o
papo começasse com “oi, você gosta de Caetano?”. Mas vamos dizer que em dado
momento da noite rolava um “mas e aí Caetano?”.
Naquela vez foi um pouco diferente, logo nas primeiras
saídas coloquei minha música preferida do Doces Bárbaros para tocar, ele achou
um saco, disse que aquilo era barulho, não música. Discutimos. Aliás, essa foi
uma delas, discutimos sempre, quase todos os dias, em defesa do liberalismo,
pelo direito dos animais e sobre toda e qualquer coisa no mundo.
Recentemente numa conversa com outros casais, quando
cada casal contava o que gosta de fazer junto, ele orgulhosamente respondeu que
gostávamos de discutir. Achei lindo. Quem me conhece um pouco já sabe que não
há coisa que eu faça com tanto empenho como isso.
Apesar de não gostar de Caetano, ele se ajoelha com a
minha sobrinha e engatinha pela casa, gosta de imitar uma siriema e acha graça
quando danço estranho em locais públicos.
Quando a gente se conheceu, ele me disse que gostava
de viajar, mas que esperava alguém que pudesse ir para o mundo ao lado dele. Naquela
hora achei aquilo tudo tão papo de quem queria se dar bem aquela noite, e agora
estou separando as coisas para nossa próxima viagem.
No fim das contas, ele tem até gostado de Caetano,
esses dias colocou até repeat no carro quando acabou de tocar. E eu, aos poucos
até me rendo a música clássica.
Esse texto é em comemoração a mais um ano dele nesse
planeta.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
Pela infância dos nossos dias
Lembro das tardes de janeiro naquele pequeno apartamento. Éramos sete. A vida era boa e o sol não tão quente. São José dos Campos parecia a melhor cidade do mundo e os morrinhos do terreno abandonado eram enormes e facilmente comparáveis com uma pista de Down Hill, das mais radicais e perigosas. Esses dias passei por lá e os morrinhos ainda estavam lá, mas dessa vez, eles pareciam tão pequenos. Aliás isso me lembrou dos dias em que íamos com a vó no Aquário lá em São Paulo, aquela variedade de peixes e de brinquedos que nos deixavam loucos. Também passei por lá tem alguns anos e vi que eram poucos os peixes e menores ainda os brinquedos.
Engraçado, quando somos pequenos tudo parece tão grande. Vejo a pequena Laura engatinhar pela casa, como é difícil vencer cada desafio como abrir a porta do armário ou engatinhar até o outro cômodo, mas ela não se cansa. Talvez seja isso, o mundo deve ser tão grande para as crianças porque elas não se cansam. Crescer (ok, nem tanto no meu caso) as vezes deixa as coisas pequenas e difíceis. Ser adulto é ter medo de abrir a porta do armário e preguiça de engatinhar até o próximo quarto.
As vezes evito ser adulto, mas tem dias que a "adultice" bate assim na gente, aí tudo parece pequeno e difícil. Nesses dias, sem dúvida o melhor a se fazer é ter uma criança por perto e de repente se ver engatinhando ao lado dela. Esquecer como o mundo é difícil e de que engatinhar pode causar dores nos joelhos.
Felizes são os que ainda sabem a felicidade que é abrir a gaveta mais alta do armário.
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Manifesto contra o sofrimento
É porque a gente sofre demais. Sofremos pelas contas que vão vencer, pelo trabalho que se aproxima da data de entrega, pelo farol vermelho quando estamos com pressa, pelas relações que não fazem sentido.
Resolvi fazer uma retrospectiva das lágrimas que caíram nos últimos 365 dias e cheguei a conclusão de que boa parte dessas coisas já não me doem mais, ou talvez nunca tenham doído como meu coração insistia em alertar.
Enquanto escrevo isso, uma pequena faixa de sol atravessa a cortina e ilumina a parte esquerda do meu corpo. Penso que a vida é boa, ou talvez esteja boa, não sei ao certo. Resolvi que de agora em diante não vou mais sofrer, já tenho uma estratégia.
Quando eu era criança, logo depois que tivemos nossa casa assaltada, eu tinha pavor de que os bandidos voltassem para buscar a gente. Sempre olhava para o lustre do meu quarto e tinha certeza de que lá havia uma arma escondida, que cedo ou tarde deveria ser recuperada. Vivi nesse pesadelo por alguns meses, então eu decidi que sempre que esses pensamentos me viessem a cabeça eu deveria pensar num fundo branco, por mais que eles insistissem, mas eu deveria focar no fundo branco, ele me traria paz e o sono.
Talvez a tela branca também funcione quando você tem 24 anos de idade, acho que basta que eu acredite que não há pensamento que prevaleça ao fundo branco.
Portanto, fica estipulado que a partir de hoje não haverá mais sofrimento. Esta palavra foi banida do meu dicionário e não habitará novamente esse mundo mental, também nesse mesmo impulso declaro criado o "embranquecer" do significado, restaurar a paz.
domingo, 19 de outubro de 2014
Sobre errar e tardes de domingo
Foi
numa tarde de domingo ensolarada, embora não tão quente como o dia de hoje. Eu
e meu avô debruçados no parapeito da janela, assistindo a vida passar. Meus
olhos cheios de lágrimas evidenciavam a primeira grande dor de um garoto que nunca
seu deu ao luxo de falhar, a primeira nota baixa no colégio. Jamais me
esquecerei daqueles olhos grandes me dizendo: “fique tranquilo meu filho,
existem alguns erros que só cometemos uma vez!”.
Talvez eu tenha demorado alguns anos para entender o significado dessas palavras, embora não tenha mais degustado o sabor de uma nota baixa durante toda a vida escolar. Fato é que desde que entendi as palavras do meu avó, me permiti errar uma vez.
Se eu pudesse fazer um desejo hoje, pediria apenas mais alguns instantes como aquele na janela do meu avô. Preciso perguntar-lhe como lidar com os erros que acontecem duas, três e outras tantas mais na vida. Queria saber sua opinião sobre esses erros que as pessoas cometem quando estão ficando adultas e sobre aqueles que idade nenhuma parece que vai corrigir.
Por fim e não menos importante, gostaria de saber porque as tardes de domingos andam tão mais quentes e porque não há mais bananada na venda da esquina.
Talvez eu tenha demorado alguns anos para entender o significado dessas palavras, embora não tenha mais degustado o sabor de uma nota baixa durante toda a vida escolar. Fato é que desde que entendi as palavras do meu avó, me permiti errar uma vez.
Se eu pudesse fazer um desejo hoje, pediria apenas mais alguns instantes como aquele na janela do meu avô. Preciso perguntar-lhe como lidar com os erros que acontecem duas, três e outras tantas mais na vida. Queria saber sua opinião sobre esses erros que as pessoas cometem quando estão ficando adultas e sobre aqueles que idade nenhuma parece que vai corrigir.
Por fim e não menos importante, gostaria de saber porque as tardes de domingos andam tão mais quentes e porque não há mais bananada na venda da esquina.
segunda-feira, 28 de julho de 2014
Todo barco tem seu cais
A sala da casa do Neruda tem formato de casco de navio. Me contou um desconhecido em Santiago há exatamente um ano atrás. Em seguida ele me explicou que Neruda se apaixonara por navios desde sua primeira viagem ao exterior e desde então passara a vida rodeado de barcos.
Me senti Neruda. Como se já não bastasse nosso romantismo dramático latente, agora tínhamos um amor em comum.
A verdade é que quase nunca tive medo de mudanças, exceto uma vez. Foi na terceira série, ao final das apresentações natalinas de turma, chorei muito. Tinha pavor de pensar no ano seguinte em uma nova escola e em deixar aqueles amigos para trás.
No ano seguinte tudo correu bem. Ruborizo em assumir que não me recordo nem dos nomes dos colegas daquela tão amada turma.
Depois desse episódio, tudo foi diferente. Poucos anos se passaram e muitos outros mares foram navegados.
Penso em Neruda. O vejo debruçado em um daqueles grandes navios que viajam da América para a Europa.
Penso em mim. Me vejo em um barquinho modesto e aconchegante como aqueles que atracam na mureta da Urca. Lembro de um em especial. Sou pequena como ele, ainda não suporto grandes viagens como o velho Neruda. É que as vezes preciso voltar para o meu cais.
Sempre soube que um bom navegante é forte e decidido. Nunca deixa escapar suas fraquezas, mas hoje quero assumir o quanto é doloroso partir com o navio do cais.
Cada vez que esse barco deixou o cais, lágrimas silenciosas inundaram toda sua superfície. Confesso que tantas vezes dei a volta no timão no sentido de regressar.
Então pensava o que seria do mar se todos os navegantes voltassem para o cais. Conclui que o mar precisava dessas lágrimas e eu precisava desse mar.
Me senti Neruda. Como se já não bastasse nosso romantismo dramático latente, agora tínhamos um amor em comum.
A verdade é que quase nunca tive medo de mudanças, exceto uma vez. Foi na terceira série, ao final das apresentações natalinas de turma, chorei muito. Tinha pavor de pensar no ano seguinte em uma nova escola e em deixar aqueles amigos para trás.
No ano seguinte tudo correu bem. Ruborizo em assumir que não me recordo nem dos nomes dos colegas daquela tão amada turma.
Depois desse episódio, tudo foi diferente. Poucos anos se passaram e muitos outros mares foram navegados.
Penso em Neruda. O vejo debruçado em um daqueles grandes navios que viajam da América para a Europa.
Penso em mim. Me vejo em um barquinho modesto e aconchegante como aqueles que atracam na mureta da Urca. Lembro de um em especial. Sou pequena como ele, ainda não suporto grandes viagens como o velho Neruda. É que as vezes preciso voltar para o meu cais.
Sempre soube que um bom navegante é forte e decidido. Nunca deixa escapar suas fraquezas, mas hoje quero assumir o quanto é doloroso partir com o navio do cais.
Cada vez que esse barco deixou o cais, lágrimas silenciosas inundaram toda sua superfície. Confesso que tantas vezes dei a volta no timão no sentido de regressar.
Então pensava o que seria do mar se todos os navegantes voltassem para o cais. Conclui que o mar precisava dessas lágrimas e eu precisava desse mar.
Agora pela tarde navega meu barquinho. Pensando na próxima parada e aguardando o próximo retorno.
Para todos aqueles que sempre estarão no cais aguardando meu barquinho.
sábado, 31 de maio de 2014
Pilhas de livros e artigos acadêmicos dividem o espaço do quarto com porpurina e planos de set de gravação. Diversos tipos de musicas executadas pela caixa de som do notebook.
Tomo banho de porta aberta enquanto penso na descriminalização das drogas. Meus pés fazem um passo desengonçado.
É sábado a noite e toda essa confusão me define,
(aprendi)
basta ser leve.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
ensaio sobre a timidez
Tem a ver com os raios que emitem os olhos. Destes que invadem e revelam o palpitar do coração. É sobre transbordar de luz e sugar energia.
Desde pequena sempre me questionaram porque olhar tanto para baixo? qual a razão de desviar o olhar? Por um instante paro, me assusto, ruborizo.
Direciono os olhos para o redondinho da ponta do nariz, aquele ponto circunferencial que separa os temidos olhos.
Me concentro no olhar.
Me perco na conversa.
Lá pelas tantas, quando meu incômodo já não suporta mais, lembro da frase que diz que os olhos são a janela da alma,
Olho no espelho, cortinas translúcidas cobrem meus olhos.
Daqui de dentro vejo tudo, sinto tudo, você que não é capaz de ver.
Desde pequena sempre me questionaram porque olhar tanto para baixo? qual a razão de desviar o olhar? Por um instante paro, me assusto, ruborizo.
Direciono os olhos para o redondinho da ponta do nariz, aquele ponto circunferencial que separa os temidos olhos.
Me concentro no olhar.
Me perco na conversa.
Lá pelas tantas, quando meu incômodo já não suporta mais, lembro da frase que diz que os olhos são a janela da alma,
Olho no espelho, cortinas translúcidas cobrem meus olhos.
Daqui de dentro vejo tudo, sinto tudo, você que não é capaz de ver.
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
calor
Sofrimento se fez água,
tempestade fez-se de onda.
PEGUEI UM JACARÉ E FUI
já na areia, sentindo os arranhões do mergulho,
julguei conveniente outro banho de mar.
tempestade fez-se de onda.
PEGUEI UM JACARÉ E FUI
já na areia, sentindo os arranhões do mergulho,
julguei conveniente outro banho de mar.
sábado, 30 de novembro de 2013
tem goteira.
Ele levantou e a casa estava vazia. Forte odor de casas de veraneio. Não havia mais nenhum rastro dela.
Quando se deu conta, a casa inundava jatos de decepção. Tudo começou pingando pelos olhos, mas não foi suficiente. Ele já havia sido alertado que nessas ocasiões o coração transborda, mas nunca acreditou que seria desta forma.
Em pouco tempo já inutilizava o último móvel que restava na casa, o carinho. E já era tão tarde que as paredes da casa não aguentariam.
Eis que sem explicação começou a secar, lentamente, dia pós dia, jato após jato, voltou a gotejar. De toda aquela enxurrada restaram apenas grandes manchas na parede e goteiras.
Agora ele já entende quando lhe diziam que é mais duro acordar de um sonho que se sonha sozinho do que ver um amor ir embora.
Ele nunca mais soube dela.
terça-feira, 22 de outubro de 2013
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
sobre o barulho do vento
...que atordoa meus ouvidos
e arrepia minha pele.
Sobre os faróis da Avenida Rio Branco,
que ofuscam minha visão
e confundem meus olhos.
Sobre essa gente,
que anda por aí sem saber pra onde vai.
Sobre o medo,
que impedem as pessoas de sair de casa
Sobre o desmatamento da Amazônia,
que acaba com a floresta e desgosta os indígenas
Sobre os mascarados e manifestantes,
e as novas resoluções do governo estadual
Sobre eu e você,
as coisas que não foram ditas,
os beijos que não foram dados,
os filhos que não virão.
O CAFÉ COM SUÍTA ESFRIA NA MESA DA SALA
...minha mente navega
meu coração atraca.
domingo, 15 de setembro de 2013
vá para o mar, capitão!
Olho pela janela e vejo o fruto do nosso trabalho. Ali está nosso barco! lindo, imponente, como sempre sonhamos.
Exceto por um pequeno detalhe.
Não podemos navegar! Nos dedicamos tanto a construir nosso barco que esquecemos de pensar quem nosso barco deveria suportar. Agora ele está pronto e não pode suportar nós dois.
Confesso que é dolorido vê-lo partir, mas VÁ PARA O MAR, CAPITÃO! Se não estaremos juntos, pelo menos sei que leva contigo o fruto de uma de nossas maiores realizações.
Eu ficarei aqui, do lado de dentro da janela, planejo construir um balão para voar por aí.
[talvez um dia nos encontremos no horizonte]
sábado, 24 de agosto de 2013
quinta-feira, 15 de agosto de 2013
Descubro o que é o amor todas as vezes que você vai embora.
Quando meus lábios formigam
escorrem lágrimas dos meus olhos e eu não consigo perceber.
As coisas que eu mais adoro fazer ficam extremamente sem graça,
e me lembro como era incrível comprar pão de manhã ao seu lado.
Descubro o que é amor quando você diz que não sabe se me ama,
sinto ele corroendo cada músculo e o pouco de força que ainda me restava.
Quando meus olhos brilham,
cobertos de água
e meu sorriso se apaga.
estar com você é a definição do amor.
Quando meus lábios formigam
escorrem lágrimas dos meus olhos e eu não consigo perceber.
As coisas que eu mais adoro fazer ficam extremamente sem graça,
e me lembro como era incrível comprar pão de manhã ao seu lado.
Descubro o que é amor quando você diz que não sabe se me ama,
sinto ele corroendo cada músculo e o pouco de força que ainda me restava.
Quando meus olhos brilham,
cobertos de água
e meu sorriso se apaga.
estar com você é a definição do amor.
segunda-feira, 10 de junho de 2013
Carta ao meu avô
Caro avô,
Hoje apanhei da polícia. Invadi o latifúndio do nosso vizinho. Sim, aquele vizinho que me oferecia jabuticabas e me chamava para assistir televisão a cores.
Me filiei ao Partido Comunista e estou lendo Karl Marx. Desculpe te decepcionar, mas não pretendo mais me casar, nem votar na direita. Na verdade, nem pretendo mais que existam eleições.
Quero que entenda se meu rosto aparecer nos noticiários, é mais forte que eu. Desculpe também se eu mostrar meus peitos na Marcha das Vadias, por favor não encare isso como uma ofensa ou uma afronta a moral da família.
Preciso te dizer que tudo aconteceu quando eu sai do ninho e caí aqui no meio desse caos. Foi quando eu vi a primeira mazela social que tudo mudou, e eu ainda nem sabia o que era isso.
Querido vovô, sinto que esta carta já deveria ter sido escrita há alguns anos, talvez assim agora você não fosse pego com tanta surpresa.
Não diga que é coisa da juventude, eu estou cheia deste argumento. Caso você resolva insistir, prontamente responderei que se assim é, que eu serei eternamente jovem.
Ao fim, te peço um daqueles pedidos de netas que avô nenhum é capaz de negar: venha comigo! Deixe me mostrar outra possibilidade, por anos ouvi todos seus conselhos e segui todos seus princípios, deixo te mostrar um pouco de tudo que tenho vivido por aqui.
A verdade é que somos iguais, e o que me move é o desejo de transmitir a todo mundo, tudo que recebi de você.
Com amor,
Neta.
Hoje apanhei da polícia. Invadi o latifúndio do nosso vizinho. Sim, aquele vizinho que me oferecia jabuticabas e me chamava para assistir televisão a cores.
Me filiei ao Partido Comunista e estou lendo Karl Marx. Desculpe te decepcionar, mas não pretendo mais me casar, nem votar na direita. Na verdade, nem pretendo mais que existam eleições.
Quero que entenda se meu rosto aparecer nos noticiários, é mais forte que eu. Desculpe também se eu mostrar meus peitos na Marcha das Vadias, por favor não encare isso como uma ofensa ou uma afronta a moral da família.
Preciso te dizer que tudo aconteceu quando eu sai do ninho e caí aqui no meio desse caos. Foi quando eu vi a primeira mazela social que tudo mudou, e eu ainda nem sabia o que era isso.
Querido vovô, sinto que esta carta já deveria ter sido escrita há alguns anos, talvez assim agora você não fosse pego com tanta surpresa.
Não diga que é coisa da juventude, eu estou cheia deste argumento. Caso você resolva insistir, prontamente responderei que se assim é, que eu serei eternamente jovem.
Ao fim, te peço um daqueles pedidos de netas que avô nenhum é capaz de negar: venha comigo! Deixe me mostrar outra possibilidade, por anos ouvi todos seus conselhos e segui todos seus princípios, deixo te mostrar um pouco de tudo que tenho vivido por aqui.
A verdade é que somos iguais, e o que me move é o desejo de transmitir a todo mundo, tudo que recebi de você.
Com amor,
Neta.
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